01 — O que é
Uma dilatação na parede de uma artéria cerebral.
Os aneurismas cerebrais representam uma dilatação anormal na parede arterial dos vasos cerebrais, geralmente próxima a um ponto de bifurcação, onde existe uma anormalidade estrutural da parede. Cerca de 90% são saculares; os demais incluem fusiformes, traumáticos, micóticos, dissecantes e microaneurismas.
Variam em tamanho — pequenos (< 10 mm), grandes (11–25 mm) e gigantes (> 25 mm). Aproximadamente 85% localizam-se na circulação anterior do Polígono de Willis, onde as circulações anterior e posterior se anastomosam.
Vários fatores aumentam o risco de desenvolvimento, crescimento e ruptura: tabagismo, abuso de álcool, sexo feminino, hipertensão não controlada e aterosclerose. A contribuição genética é relevante e síndromes hereditárias devem ser consideradas quando há mais de um familiar com aneurismas intracranianos.
São mais prevalentes entre 35 e 60 anos, com proporção de 1:2 entre homens e mulheres. Cerca de 10–30% dos pacientes podem apresentar múltiplos aneurismas.
02 — Sintomas
Sinais de alerta
Aneurismas íntegros costumam ser silenciosos e, com frequência, são achados incidentais durante a investigação de outra condição. Quando há ruptura — a hemorragia subaracnóidea — o quadro é súbito e intenso:
A cefaleia sentinela, dor intensa que precede a ruptura em dias a semanas, ocorre em 10–43% dos pacientes e sinaliza risco maior. A perda abrupta de consciência também deve levantar a suspeita: o diagnóstico precoce é decisivo.
- ACefaleia súbita e intensa
- BRigidez de nuca
- CNáusea e vômitos
- DAlteração de consciência
O diagnóstico precoce muda completamente o prognóstico. Cada minuto importa.
03 — Diagnóstico
Diagnóstico e investigação
A maioria dos aneurismas não rotos é identificada incidentalmente em uma neuroimagem feita por outra razão. Indivíduos de alto risco podem ser rastreados com angiorressonância ou angiotomografia.
Para aneurismas rotos, o exame inicial confiável é a tomografia de crânio sem contraste — positiva em 98–100% dos casos nas primeiras 12 horas. Quando a TC é negativa mas a suspeita clínica é forte, sequências de ressonância (FLAIR, SWI, GRE) ou a punção lombar com pesquisa de xantocromia ajudam a confirmar o sangramento.
A angiografia digital por subtração permanece o padrão-ouro: com reconstrução 3D identifica aneurismas pequenos, avalia a morfologia e a relação com ramos perfurantes próximos. O objetivo de diagnosticar cedo é estabelecer o tratamento adequado o mais rápido possível, evitando a hemorragia subaracnóidea e suas consequências.

04 — Tratamento
Conduta e tratamento
A decisão é sempre multifatorial — história clínica, sexo, comorbidades, exames de imagem, tamanho, localização e anatomia do vaso, história familiar e condições genéticas. Existem duas vias terapêuticas principais:
- 01
Microcirurgia (clipagem)
Colocação de um ou mais clipes de titânio no colo do aneurisma por craniotomia, excluindo-o da circulação sem comprometer os vasos vizinhos. Realizada com microscópio, angiografia intraoperatória com indocianina e monitorização neurofisiológica contínua. Em casos complexos, técnicas de bypass (EC-IC ou IC-IC) são utilizadas para a revascularização.
- 02
Tratamento endovascular
Abordagem não cirúrgica por microcateteres intra-arteriais guiados por fluoroscopia, com molas ou dispositivos de desvio de fluxo. Pode ser usada isoladamente ou em conjunto com a microcirurgia.
05 — Recuperação
Recuperação e acompanhamento
Após a hemorragia subaracnóidea, o vasoespasmo é uma complicação comum (até 40–70% dos casos), com pico entre o 7º e o 10º dia e resolução habitual em 21 dias. O manejo inclui nimodipina, manutenção da euvolemia e monitoramento com Doppler transcraniano.
Outras complicações possíveis incluem hidrocefalia, convulsões, arritmias e distúrbios hidroeletrolíticos. O acompanhamento com imagem seriada é essencial para confirmar a exclusão completa do aneurisma e vigiar a circulação ao longo do tempo.
